Seminário marca lançamento de Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos sobre Clima e Saneamento; evento debateu adaptação climática, financiamento e os desafios do setor diante de um cenário de crescente pressão ambiental
Falar sobre saneamento parecia assunto restrito a áreas técnicas e especialistas do setor. Mas os impactos das mudanças climáticas começaram a aproximar esse debate da vida cotidiana das cidades. Enchentes mais frequentes, períodos prolongados de seca, dificuldades no abastecimento e eventos extremos passaram a mostrar, na prática, como a infraestrutura urbana e o clima estão diretamente conectados.
Nesse contexto, a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo tem buscado dar respostas à sociedade e apoiar governos e organizações na adaptação climática e garantia de prestação de serviços essenciais ao país. Em mais um passo para atender a essas demandas, a FESPSP realizou o seminário Clima e Saneamento: Sustentabilidade, Adaptabilidade e Financiamento. O encontro reuniu especialistas, representantes do poder público, de instituições financeiras e profissionais do setor no dia 5 de maio para discutir como o Brasil precisa se preparar para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.
O evento, organizado em parceria com a Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe), marcou oficialmente o lançamento do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Clima e Saneamento da FESPSP, reunindo a expertise de décadas da fundação sobre o tema (acesse aqui mais informações sobre o Núcleo). O seminário abordou debates sobre abastecimento de água, drenagem urbana, financiamento, planejamento e adaptação climática. Apesar das diferentes áreas representadas no evento, uma percepção apareceu de forma recorrente entre os participantes: não dá mais para pensar o saneamento sem considerar os impactos do clima.
A palestra de abertura do seminário foi conduzida por Alexandre Motta (foto), presidente da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), que ressaltou a importância de criar espaços de discussão capazes de reunir diferentes perspectivas sobre o tema. Ele também destacou que o debate climático precisa ultrapassar os espaços técnicos e chegar de forma mais clara à sociedade. Segundo ele, construir soluções passa também pela capacidade de diálogo entre diferentes setores e pela forma como o tema é comunicado à população.
Entre os palestrantes esteve também Ana Carolina Golo Nascimento, diretora da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). “A água é o elemento mais afetado pelas mudanças climáticas”, destacou, lembrando que o setor vive um momento de pressão e transformação, principalmente diante da meta de universalização do saneamento até 2033. Para ela, lidar com um cenário de tantas incertezas exige planejamento, capacidade técnica e adaptação constante.
Outro tema bastante presente nas discussões foi o financiamento de projetos ligados à adaptação climática. Representantes de bancos públicos e instituições do setor discutiram caminhos para ampliar investimentos em áreas como segurança hídrica, drenagem urbana, tratamento de esgoto e gestão de resíduos sólidos.
Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Clima e Saneamento
Os participantes do seminário celebraram a criação do Núcleo, capaz de contribuir diretamente com soluções voltadas aos desafios climáticos enfrentados pelo setor.
Coordenador do Núcleo, Antônio Miranda destacou que a iniciativa nasce da necessidade de reunir conhecimentos técnicos que hoje estão espalhados entre profissionais, instituições e experiências práticas do setor. “A riqueza de conhecimento vai permitir que a FESPSP esteja extraordinariamente bem qualificada para prestar esses serviços de conhecimento para a sociedade brasileira”, afirmou.
Segundo Miranda, o grupo reúne profissionais de diferentes áreas para atuar em temas relacionados ao abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem urbana e resíduos sólidos, especialmente diante de eventos extremos como secas prolongadas, chuvas intensas e ondas de calor.
Ao longo do encontro, temas debatidos internacionalmente durante a COP30 também apareceram nas discussões, principalmente a necessidade de transformar compromissos ambientais em medidas concretas para estados e municípios.
Mais do que um seminário técnico, o evento acabou se consolidando como um espaço de troca entre profissionais, instituições e especialistas que hoje tentam responder a uma mesma pergunta: como preparar as cidades brasileiras para um cenário climático cada vez mais desafiador.
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