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Aumento das denúncias de violência contra a mulher mobiliza Câmara de Itapevi e FESPSP em ação de capacitação

Oficina prática nesta quinta-feira (21) capacitou servidores públicos no acolhimento a vítimas e no desenho de leis e de projetos de combate à violência de gênero

SÃO PAULO — Entre 2024 e 2025, o número de denúncias de violência contra a mulher no Ligue 180 em Itapevi cresceu 866%, segundo dados do Ministério das Mulheres. Nos três primeiros meses deste ano, foram somados 264 registros nesse serviço telefônico, o que representa um crescimento de 25% em relação ao mesmo período de 2025, ano que contabilizou 1.053 ocorrências no total. Os dados refletem o aumento da demanda da população por políticas mais efetivas de combate à violência de gênero, por meio de um serviço público humanizado e qualificado. Com esse objetivo, a Câmara Municipal de Itapevi, por meio de sua Escola do Parlamento “Doutor Osmar de Souza”, firmou parceria com a FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), instituição de pesquisa e ensino com larga experiência no setor, para transformar dados estatísticos em políticas públicas cada vez mais assertivas para o município.

A primeira ação dessa parceria, a oficina “Violência contra a mulher: o Legislativo em ação”, aconteceu nesta quinta-feira (21/5), na Câmara Municipal de Itapevi, com a capacitação de 70% dos profissionais atuantes no Legislativo. “Foram preparadas cerca de 200 pessoas, entre servidores, vereadores e estagiários de toda a rede de apoio de Itapevi, para atuar de forma mais qualificada, humana e eficiente no enfrentamento da violência contra a mulher em nosso município”, diz o presidente da Câmara Municipal, vereador Rafael Alan de Moraes Romeiro.

A urgência local se conecta a um cenário crítico em todo o Brasil. Conforme dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o país registrou 1.568 feminicídios em 2025 — uma alta de 4,7% em relação ao ano anterior, resultando na média de quatro mulheres mortas por dia. Além disso, mais de 40% das brasileiras com 16 anos ou mais já sofreram violência física, sexual ou psicológica por parte de parceiros ou ex-parceiros.

“Essa primeira ação de capacitação visa garantir que o Legislativo esteja preparado para acolher, orientar e construir políticas públicas mais humanas e efetivas para as mulheres de Itapevi”, explica a vereadora Tininha, procuradora da Mulher na Câmara Municipal de Itapevi. A vereadora aponta que a capacitação interna é o alicerce para essa mudança. “O grande diferencial do evento está na cooperação com a FESPSP, que traz o seu acúmulo de conhecimento para conectar a teoria com os desafios práticos do município.”

A oficina abordou o ciclo de políticas públicas sob a ótica da interseccionalidade, avaliando como fatores como raça, sexualidade e idade moldam as diferentes formas de agressão, diz Tathiana Chicarino, coordenadora do projeto na FESPSP. Segundo a cientista política, a violência de gênero no Brasil não obedece a um padrão único. Estatísticas revelam que a violência sexual, por exemplo, atinge majoritariamente meninas de 0 a 14 anos, a violência física se concentra a partir dos 20 anos, e a negligência doméstica responde por 57,2% dos casos em idosas acima de 80 anos.

A ação da Câmara Municipal de Itapevi em parceria com a FESPSP é da máxima importância, avalia Chicarino, “porque mobiliza servidores públicos, além de representantes eleitos, vereadoras e vereadores, numa atividade que alinha informações sobre o histórico das violências contra as mulheres, os aparatos legais e o debate sobre como eles são fundamentais para pensarmos o combate a essas violências”.

Além da discussão teórica, os inscritos participaram de uma atividade prática baseada em casos reais, desenhada para analisar soluções e avaliar a suficiência da rede de amparo atual em Itapevi. Com essa meta, a iniciativa reforçou o compromisso institucional da Câmara Municipal de Itapevi com as diretrizes internacionais da Convenção de Belém do Pará e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU — cobrindo as metas de Educação de Qualidade (ODS 4), Igualdade de Gênero (ODS 5), Redução das Desigualdades (ODS 10) e Instituições Eficazes (ODS 16).

 

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