O propósito é fazer do Labop um centro de referência nacional em estudos de opinião pública, comunicação política e estudos digitais, integrando alunos, professores e pesquisadores em seus projetos
A Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) colocou em funcionamento, no último mês, o Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais (Labop). O novo núcleo passa a atuar como eixo de integração de atividades entre ensino acadêmico, pesquisa científica e extensão universitária e desenvolverá estudos sobre opinião pública, comunicação política e ecossistemas digitais.
A proposta é reunir professores, pesquisadores e estudantes em projetos acadêmicos e aplicados, além de articular as atividades acadêmicas com a área de Projetos da Fundação.
“Os projetos do Labop agregam tanto o departamento acadêmico, por meio da Escola, quanto a área de Projetos, no âmbito da Fundação”, explica Beto Vasques, coordenador do novo Laboratório. “Dessa maneira, esperamos contribuir para a formação aplicada de cientistas sociais e estudantes de graduação e de pós-graduação da FESPSP e para a produção de conhecimento alinhado às melhores práticas científicas e de mercado em nossa área de atuação.”
De acordo com Angelo Del Vecchio, diretor-geral da FESPSP, a criação do núcleo também integra uma estratégia institucional de longo prazo. “Queremos consolidar a FESPSP como referência nacional nos campos da opinião pública, da comunicação política e dos ecossistemas digitais”, afirma.
Pesquisa sobre consumo cultural
Em parceria com o Ministério da Cultura, o Labop desenvolve uma ampla pesquisa sobre os padrões de consumo de produtos e bens culturais e de utilização dos espaços de cultura na cidade de São Paulo. O levantamento prevê a realização de mais de 9.000 entrevistas e contará com a participação de 20 estudantes bolsistas.
Os alunos participantes foram selecionados por meio de edital lançado em junho, destinado prioritariamente aos estudantes da graduação em Sociologia e Política da FESPSP, e atuarão no projeto durante quatro meses. O processo seletivo foi dividido em duas etapas eliminatórias: análise curricular e entrevistas. A lista final de aprovados foi divulgada no portal da FESPSP na semana passada.
A partir de agosto, os estudantes receberão formação teórica e prática antes de iniciar o trabalho de campo e realizar as entrevistas, sempre sob a supervisão dos professores responsáveis pelo projeto.
Metodologia reúne três eixos
O Labop desenvolve seus projetos com base em uma metodologia estruturada em três eixos. O modelo combina a robustez estatística das pesquisas quantitativas do tipo survey, a profundidade interpretativa dos métodos qualitativos, como grupos focais e entrevistas em profundidade, e a agilidade dos estudos de acompanhamento do debate público digital. Essa última frente lança mão de recursos como análise de redes, big data e inteligência artificial.
“A metodologia é capaz de captar, com precisão e rapidez, mudanças nas percepções da opinião pública a partir do acompanhamento sistemático do debate público no sistema híbrido de mídia contemporâneo”, explica Beto Vasques.
Segundo o coordenador do Labop, esse sistema reúne a imprensa tradicional, baseada na difusão de conteúdos para grandes audiências, e as plataformas digitais de mídias sociais, marcadas pelas dinâmicas de comunicação em rede.
Professor de Comunicação Política na FESPSP, Vasques possui mais de uma década de experiência em planejamento e inteligência em comunicação política e opinião pública no Brasil, na América Latina e na Espanha.
Pesquisas, formação e atuação pública
A equipe técnica do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais reúne os pesquisadores e professores Flávia Loschi, Hilton Fernandes, Mercia Alves, Paulo Roberto Souza, Orjan Olsen e Jairo Pimentel.
Embora tenha sido formalizado como área da FESPSP em junho, o Labop já funcionava, desde 2024, em caráter experimental, como uma prova de conceito do modelo. Entre as experiências que antecederam sua institucionalização estão quatro pesquisas de opinião realizadas ao longo de 2024 sobre as eleições municipais na capital paulista.
Em parceria com a Assessoria de Imprensa, vinculada à área de Comunicação da FESPSP, o laboratório também realizou, entre março e abril deste ano, um curso de capacitação sobre cobertura eleitoral e debate digital para mais de 100 jornalistas.
A iniciativa teve continuidade como um fórum de educação continuada. A cada duas semanas, os participantes assistem a aulas conduzidas pelo coordenador do Labop e por convidados, como Mauricio Moura, presidente do Idea Pesquisas, e Felipe Nunes, diretor da Quaest Inteligência.
O Labop também participa de seminários e desenvolve pesquisas em municípios paulistas como São Carlos, Paulínia e Atibaia, em parceria com a área de Projetos da Fundação.


