Estudo desenvolvido pela FESPSP reuniu dados técnicos e a participação da população para subsidiar a próxima etapa da reestruturação da circulação de ônibus na cidade
Depois de meses de pesquisas, entrevistas e encontros com moradores, Atibaia, município de cerca de 159 mil habitantes localizado a aproximadamente 65 quilômetros da capital paulista, deu mais um passo na revisão do transporte coletivo da cidade. No dia 15 de julho, foram apresentados os resultados do diagnóstico que mapeou o funcionamento do sistema de ônibus e identificou os principais desafios da mobilidade urbana no município.
O trabalho foi desenvolvido pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) em parceria com a Prefeitura de Atibaia e marca o encerramento da primeira fase do projeto, iniciado no começo do ano. A partir de agora, os dados levantados servirão de base para a elaboração das diretrizes que vão orientar a reformulação do transporte público municipal.
A apresentação reuniu representantes da administração municipal, entre eles o secretário de Mobilidade e Planejamento Urbano de Atibaia, Paulo Henrique de Souza Rocha, além de técnicos e parceiros que acompanharam o desenvolvimento do estudo.
Mais do que reunir informações já disponíveis, a equipe buscou entender como a população utiliza o transporte no dia a dia. Para isso, o diagnóstico, coordenado pelo sociólogo Paulo Silvino Ribeiro, combinou diferentes metodologias. Foram analisados dados secundários, promovidas oficinas com atores locais, aplicadas pesquisas de opinião e realizadas entrevistas em diferentes regiões da cidade. Esse conjunto de informações permitiu construir uma leitura mais abrangente sobre a realidade do sistema e gerou um volume expressivo de dados primários.
Para o coordenador do projeto, a conclusão dessa etapa representa um marco relevante para o trabalho. “Isso encerra uma etapa importante, que é o diagnóstico, e precede o desenho das diretrizes que vão reorientar o transporte coletivo da cidade”, explicou Ribeiro.
Com o diagnóstico concluído, a próxima fase será dedicada à construção das propostas que vão orientar a reestruturação do sistema de transporte coletivo por ônibus de Atibaia. A expectativa é que as diretrizes sejam formuladas a partir das evidências levantadas ao longo do estudo e das contribuições apresentadas pela própria população durante o processo participativo. O plano de reestruturação deve ser apresentado em setembro.
Segundo Paulo Silvino Ribeiro, ouvir quem utiliza o transporte diariamente foi uma parte essencial do trabalho. As informações obtidas nas pesquisas de campo complementaram os dados técnicos e ajudaram a identificar aspectos que dificilmente apareceriam apenas em levantamentos estatísticos.
A iniciativa integra um conjunto de projetos desenvolvidos pela FESPSP em diferentes regiões do país para apoiar governos municipais e estaduais na formulação de políticas públicas. Em comum, eles têm a combinação entre pesquisa aplicada, análise técnica e participação social como base para o planejamento das ações.
Como resume Paulo Silvino Ribeiro, esse é justamente o papel que a Fundação busca desempenhar. “É a gente fazendo o que melhor sabemos fazer: trabalhar com a dimensão aplicada das ciências sociais.”
Ao transformar dados e a experiência da população em informações para orientar decisões públicas, o diagnóstico deixa de ser apenas um retrato do transporte coletivo de Atibaia. Passa a ser o ponto de partida para discutir como o sistema pode responder melhor às necessidades de quem depende dele todos os dias. O plano de reestruturação deve ser apresentado em setembro. Ainda não há data fechada para o início da implementação.


