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Núcleo Virgínia Bicudo realiza II Encontro Paulista de Pesquisadoras(es) Negras(os) e Estudantes Antirracismo com apoio da FESPSP

Evento no próximo dia 15 de junho fortalece a articulação entre universidades, movimento negro e instituições públicas em defesa da igualdade racial e da produção de conhecimento antirracista; Memorial da América Latina é parceiro da iniciativa

São Paulo receberá, no dia 15 de junho de 2026, o II Encontro Paulista de Pesquisadoras(es) Negras(os) e Estudantes Antirracismo, iniciativa que reunirá cerca de 500 participantes no Auditório Simón Bolívar do Memorial da América Latina. O evento pretende consolidar a articulação entre pesquisadoras(es), estudantes, docentes, Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (NEABs), movimentos sociais, gestores públicos e organizações comprometidas com o enfrentamento do racismo e a democratização da universidade. Com o tema voltado ao combate ao racismo na educação superior e na produção do conhecimento, o encontro busca fortalecer a intelectualidade negra, ampliar o diálogo entre pesquisa e ativismo e construir estratégias coletivas para a promoção da igualdade racial no estado de São Paulo.

Uma realização do Núcleo Antirracismo de Pesquisa e Estudos Virgínia Leone Bicudo, da Fundação Memorial da América Latina – Centro Brasileiro de Estudos da América Latina e da Secretaria de Cultura, Indústria e Economia Criativa do Estado de São Paulo, o evento tem o apoio da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), onde atua o Núcleo Virgínia Bicudo. A expectativa é reunir representantes de pelo menos 15 universidades e 25 NEABs, além de lideranças estudantis e integrantes do movimento negro de diversas regiões paulistas. O encontro acontece em um momento de intensificação dos debates sobre ações afirmativas, permanência estudantil, reparação histórica e combate ao racismo institucional.

Segundo a organização, o evento representa mais do que um espaço acadêmico. Trata-se de um fórum estratégico para a construção de agendas políticas e institucionais voltadas à defesa da educação pública, da diversidade e da justiça racial.

Programação do encontro: universidade, racismo e epistemologias negras
A programação ocorrerá das 9h às 21h e contará com mesas de debate, apresentações culturais, feira de organizações e espaços de articulação política. Entre os destaques está a mesa de abertura “Universidade, Racismo e Epistemologias Negras: a Disputa pelo Conhecimento”, que discutirá os desafios da produção científica negra e a democratização dos espaços acadêmicos. Também serão realizados os debates “Combate ao Racismo na Universidade: Organização Estudantil e Movimento Negro na Conjuntura Atual” e “Organizar, Articular e Transformar: Agenda Antirracista Paulista em Defesa da Educação e da PEC da Reparação”, reunindo pesquisadoras(es), estudantes e lideranças do movimento negro. Ao longo do dia, os participantes poderão acompanhar apresentações artísticas, atividades culturais e uma feira de organizações, fortalecendo a integração entre universidade e sociedade civil.

Carta Paulista Antirracista será construída durante o encontro
Entre os principais resultados esperados está a elaboração da Carta Paulista Antirracista pela Educação e Produção do Conhecimento, documento que reunirá propostas e recomendações para o enfrentamento do racismo e a promoção da igualdade racial nas instituições de ensino. A organização também pretende consolidar a retomada do Fórum Paulista dos NEABs, ampliando a cooperação entre universidades e fortalecendo a mobilização paulista em direção ao Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as) (COPENE) de 2026.

Continuidade de uma trajetória histórica
O encontro dá continuidade a uma tradição de organização da intelectualidade negra brasileira que remonta às mobilizações iniciadas ainda na década de 1980. Em São Paulo, um marco dessa trajetória ocorreu em 1989, com a realização do Encontro de Docentes, Pesquisadores e Pós-Graduandos Negros das Universidades Paulistas, considerado fundamental para a consolidação das redes acadêmicas negras no país. A iniciativa também dialoga com o legado de intelectuais como Lélia Gonzalez, Virgínia Leone Bicudo, Abdias do Nascimento, Clóvis Moura, Kabengele Munanga, Beatriz Nascimento e Sueli Carneiro, cujas contribuições foram decisivas para a construção do campo dos estudos sobre relações raciais no Brasil.

Ao reunir pesquisadores, estudantes e movimentos sociais, o II Encontro Paulista de Pesquisadoras(es) Negras(os) e Estudantes Antirracismo reafirma o papel da universidade como espaço de produção de conhecimento comprometido com a transformação social e o combate às desigualdades raciais.

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