Projeto realizado há quatro anos recebe pesquisadores da University College London e cria oportunidades para estudantes dos cursos de graduação e pós da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo
Oitenta estudantes da University College London (UCL) apresentaram, na última quinta-feira, os resultados das pesquisas de campo realizadas na capital paulista com apoio da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). O programa de extensão Visibilidade Internacional de comunidades locais: Overseas Practice Engagement (OPE) foi realizado entre os dias 6 e 14 de maio, criando oportunidades de intercâmbio entre alunos e professores de ambas as instituições.
Originários de vários países, os estudantes de pós-graduação em Administração e Planejamento em Desenvolvimento (DAP, na sigla em inglês) e de Construção e Design Urbano em Desenvolvimento (BUDD, na sigla original) da UCL participaram de aulas e palestras na FESPSP e desenvolveram pesquisas de campo nas sedes de movimentos sociais parceiros do projeto: Ação Educativa, MTST, MSTC, Casarão Brasil e Aldeia Tekoa Pyau. Sob coordenação da professora Carolina Requena, estudantes da FESPSP atuaram como facilitadores de pesquisa, acompanhando as diversas atividades, contribuindo com esclarecimentos e apoiando as traduções.
A proposta é aproximar os estudantes de experiências práticas e desafios sociais que atravessam grandes centros urbanos, ampliando o olhar para além da teoria acadêmica. Aluno do 7º semestre de Sociologia e Política, Pedro tem participado da iniciativa desde a primeira edição, em 2023. Segundo ele, o intercâmbio teve impacto direto na forma como passou a enxergar pesquisa, metodologia e até a dimensão política do trabalho acadêmico. “A experiência mudou muito minha forma de interagir com grupos e pensar a pesquisa. Também ampliou minha percepção sobre como questões locais estão conectadas a movimentos e desigualdades globais”, explicou “A gente percebe que muitos desafios discutidos aqui aparecem em outros lugares do mundo, ainda que de formas diferentes.”
Aluno do mestrado de Desenvolvimento e Planejamento, Julio Alfredo Escobar, de Cali, na Colômbia, celebrou a experiência. Seu grupo de trabalho investigou inicialmente a relação entre luta por moradia e combate à fome, mas o foco acabou mudando diante da realidade encontrada no território. O interesse passou a se concentrar nas cozinhas solidárias e no papel que desempenham para além da distribuição de alimentos. Para ele, esses espaços também oferecem acolhimento, atividades educacionais, orientação jurídica, serviços de saúde e funcionam como pontos de articulação social e política. “São lugares onde as pessoas encontram apoio e se sentem seguras. Não servem apenas comida; muitas vezes, funcionam como espaços de cuidado e organização comunitária”, disse. Para ele, um dos aspectos mais marcantes foi observar como movimentos sociais ligados à moradia conseguiram ampliar sua atuação e influenciar discussões públicas e políticas institucionais.
Liderança indígena da Aldeia Tekoa Pyau, Sandra Regina Gumes tem recebido os pesquisadores e pesquisadoras da UCL desde o início do projeto. Durante as visitas, o objetivo é apresentar elementos da cultura, da organização social e da permanência das tradições indígenas em uma das maiores metrópoles do mundo. Mais do que apresentar costumes, os encontros procuram ampliar a compreensão dos estudantes sobre território, pertencimento e diferentes formas de organização coletiva.
Para Carolina Requena, a iniciativa reforça o papel da FESPSP na construção de relações acadêmicas internacionais dos alunos e da Escola, e na promoção de projetos voltados para pesquisa aplicada, desenvolvimento urbano e justiça social. “Além da experiência em campo, estudantes interessados em estudar na Development Planning Unit (DPU) da UCL podem acessar os professores que nos visitaram para perguntar sobre os programas e sobre bolsas internacionais. Já tive um aluno na FESPSP, orientando de TCC, que teve a candidatura aprovada pelo programa DAP”.
Os estudantes da FESPSP orientados por ela vão agora produzir um relatório sobre a iniciativa, parte do projeto de extensão. A turma de 2026 foi a maior já acolhida pela fundação em São Paulo. A parceria com a UCL envolve ainda programas ligados aos MBAs, que oferecem módulos internacionais em Londres.
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